terça-feira, 27 de junho de 2017

Entrevista Mestre Julio Camacho Revista Mundo Marcial On Line (Interview granted by my Sifu Julio Camacho)


Reporte Jorge Ambrustolo entrevistando os Mestres Leandro Godoy e Júlio Camacho
Em 21 de Abril de 2017, foi publicada na revista Mundo Marcial Online a entrevista concedida pelo meu Si Fu Julio Camacho ao repórter Jorge Ambrustolo em meio a viagem à Argentina em que tive a oportunidade de acompanhá-lo em uma visita de integração do Grande Clã Moy Yat Sang ao Mo Gun do meu Si Suk Leandro Godoy, que nos proporcionou com todo zelo que é próprio à tradição de nossa linhagem o apoio para que meu mestre pudesse expor ao longo do artigo parte de sua percepção da cena marcial mundial, apoiada em sua vasta experiência neste mundo.

Trecho da entrevista  Chi Sao com meu irmão Kung argentino 
Na entrevista, dentre os inúmeros pontos frisados pelo meu Si Fu, posso destacar sua constatação de que cada núcleo da Moy Yat Ving Tsun porta consigo as características de sua liderança, frisando sua satisfação em encontrar na Argentina um alto nível de Kung Fu praticado de forma natural pelos alunos do Mestre Godoy não só no do ponto de vista técnico, mas principalmente no que é demonstrado e vivenciado no cotidiano e suas atividades corriqueiras.


Eu, meu Si Fu Julio Camacho e Meu Sisok Leandro Godoy em Buenos Aires
Meu Si Fu aproveitou a oportunidade para expor alguns de seus projetos, como o de visitar todas as escolas da Moy Yat Ving Tsun do mundo em razão dessa interação, com a possibilidade de se entrevistar suas respectivas lideranças e promover um documentário através desses e de contatos com os principais sinólogos existentes para fins de ampliar o legado cultural do nosso Clã. Ambos os mestres deixaram evidente durante a matéria o quão importante foi a nossa visita, não só pela oportunidade da troca de experiências técnicas, como pela própria manutenção da tradição que nos une em torno da perpetuação do sistema Ving Tsun.





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In April 21th of 2017, it was released in the Mundo Marcial Online magazine the interview granted by my Sifu Julio Camacho to the journalist Jorge Ambrustolo during the trip to Argentina in which I had the chance to accompany him in an integration visit of the Great Clan Moy Yat Sang to the Mogun of my Sisok Leandro Godoy, who provided us with all zeal that it is proper to our lineage tradition the support for master to expose throughout the article part of his perception of the martial world scenario, supported by his vast experience in it.

Backstage of the interview in Buenos Aires
In the interview, among the countless points marked by my Sifu, I can highlight his confirmation that each center of Moy Yat Ving Tsun carries within the idiosyncrasies of its leadership, reinforcing his satisfaction in finding in Argentina a high Kung Fu level naturally practiced by the students of Master Godoy not only in the technical point of view, but mainly in what is showed and lived in the day-by-day in its everyday activities.

My Sifu seized the opportunity to expose some of his projects, such as visiting all the Moy Yat Ving Tsun schools in the world in order to interact, with the chance of interviewing their respective leaders and promoting a documentary through these and through the contact with the most important sinologists with the purpose of expanding our Clan cultural legacy. Both masters made clear during the atical course how important our visit was, not only for  the opportunity to exchange technical experiences, but also for the maintenance of the tradition
that unites us around the perpetuation of Ving Tsun system.⁠⁠⁠⁠


domingo, 7 de maio de 2017

Kung Fu vai à universidade. (The Kung Fu goes to the university)


No dia 22 de Março de 2017, acompanhei meu mestre Julio Camacho num importante evento acadêmico na USP, no qual ele ministrou com mestria uma palestra sobre Ving Tsun Kung Fu durante a aula inaugural de Arte Marcial Chinesa, Cultura e Movimento do ano letivo de 2017, por convite do professor Walter Roberto Correia (docente responsável pela Disciplina do Departamento de Pedagogia do Movimento do Corpo Humano da Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo). 


Mestre Julio Camacho ministrando palestra
Durante a aula, na qual esteve presente um heterogêneo grupo de alunos atentos, composto por graduandos e profissionais já estabelecidos em suas áreas, pude notar que, além da curiosidade em relação ao que seria uma palestra ministrada por um mestre de artes marciais, foi quase unânime a surpresa estampada nos olhares e expressada nas questões. Era inesperada tamanha riqueza no que foi explanado sobre ambos os temas que orientaram as duas horas de fala: a terminologia por de trás dos ideogramas 功夫 (Kung Fu) e a genealogia da fundadora de nosso estilo, Yim Ving Tsun. Assim fiquei com a nítida impressão de que inúmeros conceitos errôneos do senso comum sobre cultura e marcialidade foram desconstruídos do imaginário do público tão interativo.
Professor Walter entregando Certificado ao palestrante 

Foi de grande enriquecimento estar em uma das mais importantes instituições de ensino do país, dentre as cem mais bem rankeadas no mundo, graças ao seu dedicado corpo docente e seu imponente e impecável campus (que nos foi apresentado com orgulho pelo nosso zeloso anfitrião, que fez questão de mostrar as unidades e equipamentos indispensáveis para condução das disciplinas ali transmitidas). O evento marcou a metade de uma semana intensa de atividades que mais uma vez, por meio da interação e planejamento que uma vida Kung Fu promove, seguiu de forma a tudo dar certo e chegarmos à tempo no aeroporto, mesmo com uma agenda apertada, numa cidade que não perdoa deslocamentos de última hora graças ao trânsito. 

Turma de Arte Marcial Chinesa Cultura e Movimento USP
Fica então homenagem e gratidão ao nosso anfitrião, que nos deu a honra de participar de tão importante momento da trajetória do meu mestre, e deixou em aberto o convite para outras oportunidades.













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The Kung Fu goes to the university

Master Julio Caamacho 
On March 22, 2017, I accompanied my Si Fu Julio Camacho at an important academic event at USP in which he masterfully lectured on Ving Tsun Kung Fu during the inaugural class of Chinese Martial Art, Culture and Movement of the 2017 school year, by invitation of the Professor Walter Roberto Correia (lecturer responsible for the Discipline of the Department of Pedagogy of the Movement of the Human Body of the School of Physical Education and Sport of the University of São Paulo).

During the lesson, which was attended by a heterogeneous group of attentive students composed by graduates and already established professionals, I could note that in addition to the curiosity about what would be a lecture given by a martial arts master, it was almost unanimous the surprise written in their eyes and expressed in their questions. Such richness in what was explained on both themes that guided the two hours of speech was unexpected: the terminology behind the ideograms 功夫 (Kung Fu) and the genealogy of our style founder, Yim Ving Tsun. Therefore I was left with the distinct impression that numerous common sensical misconceptions about culture and martiality were deconstructed from the imaginary of such an interactive audience.

Cartificade given to the Master Julio Camacho
It was of great enrichment to be in one of the most important educational institutions of our country, ranked between the hundred best in the world, thanks to its dedicated faculty and imposing and impeccable campus (which was proudly presented to us by our caring host that made a point of showing units and equipment indispensable for conducting the disciplines transmitted therein). The event marked the middle of an intense week of activities that, once again, through the interaction and planning promoted by Kung Fu, followed in a way that everything went well and we arrived at the time in the airport, even with a tight schedule, in a city that doesn’t forgive last-minute displacements thanks to traffic.

Remains then tribute and gratitude to our host, who gave us the honor to participate in such an important moment in the trajectory of my master, and left open the invitation for future opportunities.⁠⁠⁠⁠






Tango, churrasco e chi sao

Eu e meu Mestre Júlio em visita ao mestre Godoy e discípulos
No mês de Abril, dando sequência ao meu apoio às viagens internacionais do meu Mestre Julio Camacho, estivemos em Buenos Aires em importante visita ao Mo Gun do meu Sisok (tio Kung Fu) Leandro Godoy, onde pude em mais uma fantástica experiência estrema de vida Kung Fu que só uma viagem com um mestre pode proporcionar . Costumo dizer, em tom de brincadeira com fundo de verdade, que quando eu for um Si Fu de Ving Tsun irei inserir viagens com o mestre como instrumento de transmissão na minha família, porque desde que comecei viajar com o meu Si Fu, é notório o evolução do nível do meu Kung Fu em todos os seus aspectos visíveis.

Si Fu Julio Camanho no familiar ambiente de Buenos Aires
Quanto mais viajo em função do Ving Tsun, mais me encanto com a beleza da diversidade de leituras do mesmo sistema, como se manifesta no cotidiano todo o zelo e respeito que nosso Grande Clã têm e a responsabilidade de cada mestre na busca pela transmissão e preservação desse legado. Em particular, essa visita à Buenos Aires me trouxe uma agradável experiência de conhecer um processo no qual escola e lar convivem no mesmo ambiente, proporcionando uma harmônica interação entre as famílias Kung Fu e a família do próprio mestre: fato que só é possível graças ao alto grau de compromisso e respeito existente na relação Si Fu-To Dai (mestre e discípulo). Fomos recebidos com muito esmero na residência do Mestre Godoy, onde meu Mestre Julio Camacho coletou material para seu novo projeto de entrevistas referentes ao Kung Fu, que em breve será lançado. Isso sem deixar de citar, é claro, de muito churrasco com mais alto padrão das carnes que redimem o pecado do exagero através do gostinho de quero mais.



Mestre Julio Camacho em raro momento de descontração 
Entre as tais refeições recheadas das melhores carnes que já tive o prazer de degustar, tivemos muitas práticas e atividades relacionadas à sempre apertada agenda de nossas viagens. Quanto a prática de Chi Sau, tive a honra de "rolar braço" em altíssimo nível com os alunos do mestre Godoy, no mais aguerrido padrão "hermano” de qualidade. Com destaque em meu irmão Kung Fu Mariano Giuliano, Dai Si Hing (irmão Kung Fu mais velho) da família de Si Fu Godoy, que me proporcionou bastante material de estudo e refino da minha técnica, recebendo ainda na Argentina ajuda de meu Si Fu neste processo.






Dentre práticas e compromissos sociais da Família Kung Fu, ainda pude acompanhar meu mestre Julio Camacho na entrevista concedida à revista on line Mundo Marcial, uma das mais importantes publicações virtuais da Argentina, onde mais uma vez ele pôde expor seu valoroso conhecimento sobre o Sistema Ving Tsun de Inteligência Marcial. Bom, quanto ao tango, deixemos para uma próxima oportunidade.





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Tango, barbecue & chi sau

In April, sustaining my support for the international travels of my Master Julio Camacho, we went to Buenos Aires in an important visit to the Mo Gun of my Si Suk (Kung Fu uncle) Leandro Godoy, where I had another fantastic experience of extreme Kung Fu life, which only a journey with a master can provide. In a joking tone filled with truthness, I often say that when I become a Ving Tsun Si Fu, I will turn travelings with the master a transmission device of my family, because since I started traveling with my Si Fu, the evolution of my Kung Fu level is notorious in all visible aspects.
Marter Julio Camacho in The Ving Tsun Master Godoy´s Scool  
The more I travel for the sake of the Ving Tsun, the more I delight in the beauty of the diverse readings of a same system, in how is showed in everyday life all the caring and respect that our Great Clan has and the responsibility of each master in the search for transmission and preservation of this legacy. In particular, this visit to Buenos Aires brought me a pleasant experience of meeting a process in which school and home coexist in the same environment, providing a harmonious interaction between the Kung Fu families and the master's own family: a fact that is only possible thanks to the high degree of commitment and respect in the Si Fu-To Dai relationship (master and disciple). We were received with great care in the residence of Master Godoy, where my Master Julio Camacho collected material for his new project of interviews referring to Kung Fu, soon to be released. Not to mention, of course, lots of barbecues with high quality meat that redeems the sin of greediness through the sensation of can’t get enough.

Interview to the magazine Mundo Maricial on LIne
In between those meals filled with the best meats I have ever had the pleasure of tasting, we have had many practices and activities related to our always tight traveling schedule. When it comes to the Chi Sau practice, I had the honor of playing chi sau at the highest level with the students of Master Godoy, in the most intense "hermano" pattern of quality. Highlighting my Kung Fu brother Mariano Giuliano, Dai Si Hing (Kung Fu older brother) of the family of Si Fu Godoy, who provided me lots of studying and refining to my technique, and still in Argentina, got help from my Si Fu in this process.

Among the practices and social commitments of the Kung Fu Family, I also was able to keep up with my teacher Julio Camacho to the interview for the online magazine Mundo Marcial, one of the most important virtual publications in Argentina, where he was once again able to expose his valuable knowledge about the Ving Tsun System of Martial Intelligence. Well, about tango, let's leave it to a future opportunity.

Re espectar. (Re spectare)

Mestre Julio Camacho
Uma das vantagens de ter um mestre de kung fu aficionado em etimologia é o potencial de aprofundar-se em termos que por vezes são usados despretensiosamente no dia a dia. Desta maneira, podemos enriquecer o processo de transmissão com apoio na conceituação do vocabulário e facilitar a aderência da consciência marcial no cotidiano.

Numa das conversas após a prática do Ving Tsun Experience (módulo anterior ao sistema tradicional do programa Ving Tsun de Inteligência Marcial), meu Si Fu Julio Camacho solicitou que dois praticantes iniciantes expusessem considerações sobre aquilo com que eles haviam entrado em contato até então, pondo-se à disposição para esclarecer suas indagações. Ambos mostraram-se interessados na peculiar terminologia referencial que estrutura a natureza de nossa família e trouxeram ao pequeno colóquio dúvidas em relação à etiqueta reverencial aos Si hing e ao próprio Si Fu (termos chineses respectivamente associados às noções de irmãos mais velhos e pai na transliteração mais superficial).

Etimologia segundo Site Origem da Palavra
Meu Si Fu então abordou a importância da palavra respeito através de sua etimologia, com grande ênfase ao puro significado de re-espectare, fazendo-nos perceber sua importância para uma atitude marcial plena e adequada a todos os momentos da vida. Respeito, do ponto de vista etimológico, pode ser compreendido como aquele segundo olhar mais atento que damos às situações, locais e pessoas. Assim, quanto mais desenvolvemos um olhar marcial para o dia a dia, mais atento nos tornamos a todas as suas nuances.

Estar em estado constante de guarda, sempre  alerta aos fatos relevantes ou não do nosso cotidiano, é de certa forma respeitar a vida. Em tempos da dispersão virtual, é muito comum vermos, em momentos e de formas variadas, pessoas não respeitando ambientes ou relações por conta de uma atitude desatenta. A prática do Ving Tsu
n e o desenvolvimento de vida Kung Fu  vem me permitido me manter mais conectado ao mundo ao redor, me mantendo alerta e relaxado para que não falte com respeito em relação àquilo que me proponho em minha vida.




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My Si Fu Julio Camacho 
An advantage of having a kung fu master enthusiastic about etymology is the potential to delve deeper into terms that are sometimes used unpretentiously in everyday life. Thus we can enrich the transmission process with support in the vocabulary conceptualization and facilitate the adhesiveness of martial consciousness in daily living.

During one of the talks after the practice of the Ving Tsun Experience, my Si Fu Julio Camacho asked two novice practitioners to present thoughts about what they had had contact with until then, putting himself available to clarify their inquiries. Both were interested in the peculiar referential terminology that structures the nature of our family and brought to the small colloquy doubts regarding the etiquette of reverence towards the Si hing and Si Fu himself (Chinese terms respectively associated with the notions of older siblings and father in a most superficial transliteration).

Then my Si Fu addressed the importance of the word respect through its etymology, with great emphasis on the pure meaning of re-espectare, making us realize its importance for a full and appropriate martial attitude to all moments of life. Respect, from the etymological point of view, can be understood a
s that second, closer look at situations, places and people. So the more we develop a martial look for daily life, the more attentive we become to all its nuances.

Being in a constant state of guard, always alert to the relevant or not facts of our day to day, is in certain way to respect life. In times of virtual dispersion, it is very common to see in varied moments and in forms people who do not respect environments or relationships because of inattentive attitudes. The practice of Ving Tsun and the development of Kung Fu life has allowed me to stay more connected to the surrounding world, keeping myself alert and relaxed so that I don’t lack respect to what I propose myself in my life.⁠⁠⁠⁠

sábado, 15 de abril de 2017

Uma ferramenta de experimentações. (A tool of experimentations.)

Gestores André Almeida, Mestre Thiago Pereira e Clayton Meirelles 
Organizado pela Gestão Integrada do núcleos Barra/Méier do Clã Moy Jo Lei Ou, no fim de semana compreendido entre sete à nove de Abril de 2017, tivemos através da presença de nosso Grão-Mestre Leo Imamura o seminário de tutorização dos níveis 1 e 2 do Ving Tsun Experience que, como instrumento introdutório ao Programa Moy Yat Ving Tsun de Inteligência Marcial, contempla um acesso de experimentação ao Sistema de Kung Fu atribuído à Fundadora Yim Ving Tsun. Orientado à leitura linear dos seis domínios - Siu Nim Tau, Cham Kiu, Biu Ji, Mui Fa Jong, Luk Dim Bun Gwan e Baat Jaam Do - sendo estes representados por listagens simplificadas dos dispositivos corporais de combate simbólico tradicionais do Ving Tsun Kuen e apoiados estrategicamente na listagem de movimentos do Siu Nim Do.

Mestre Julio Camacho coordenando o trabalho do mestre Thiago
Sob a gestão do meu Si Fu Julio Camacho, tivemos a presença de inúmeros praticantes das famílias do Rio de Janeiros pertencentes ao grande Clã Moy Yat Sang que, através do privilégio da orientação de nosso Grão-Mestre Leo Imamura em nosso núcleo na Barra, puderam contemplar a riqueza do incansável trabalho de nosso Si Gung em aprimorar os instrumentos de nosso programa. Tive momentos de pleno e intenso contato com o mais alto nível de Kung Fu em seu mais refinado processo de transmissão em respeito à tradição e ancestralidade.




Meu Sigung e minha filha Alice 
 Durante uma requintada prática em que cada movimento de todos os dispositivo era exaustivamente estudado, do todo para as particularidades mais minuciosas, pude reforçar minhas perspectivas mais enaltecedoras da riqueza do processo de transmissão que nos é tão precioso e que tem o poder de ser tão construtivo do ponto de vista do auto desenvolvimento




Núcle Barra em dia de casa cheia.
Como costumo brincar com quem entra em contato com o Ving Tsun através do nosso método, sugiro sempre após o novo praticante conseguir compreender e traduzir em movimentos a natureza de nossos exercícios, que nos denuncie por propaganda enganosa, porque infelizmente não temos a capacidade de ensinar kung fu a ninguém, mas posso garantir que se ficarem com a gente, irão aprender por si só de uma maneira que ficará profundamente marcado na própria alma.





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A tool of experimentations.


Managers André Almeida, Master Thiago Pereira and Clayton Meirelles
Organized by the Integrated Management of the Barra/Méier centers of the Moy Jo Lei Ou clan, during the weekend from April 7th to 9th 2017, we had through the presence of our Grand-Master Leo Imamura the seminary of tutoring of the levels 1 and 2 of the Ving Tsun Experience that, as an introductory tool of the Moy Yat Ving Tsun Martial Intelligence program, contemplates an experimental access of the Kung Fu System attributed to the Founder Yim Ving Tsun. Guided to a linear reading of the six domains - Siu Nim Tau, Cham Kiu, Biu Ji, Mui Fa Jong, Luk Dim Bun Gwan and Baat Jaam Do - these being represented by simplified listings of the traditional symbolic combat devices of Ving Tsun Kuen and supported strategically in the Siu Nim Do movement listing.

Sigung and Si Fu coordinating the work of seminar
Under the management of my Si Fu Julio Camacho, we had the presence of countless practitioners of the families in Rio de Janeiro belonging to the Great Clan Moy Yat Sang that could, through the privilege of our Grand-Master Leo Imamura orientation in our Barra center, contemplate the richness of our Si Gung’s unwearying work on improving the tools of our program. I had moments of full and intense contact with the highest level of Kung Fu in its most refined transmission process respectful to tradition and ancestry.





Me and my Sigung.
During an exquisite practice in which every movement of every device was thoroughly studied, from the whole to the more detailed particulars, I could reinforce my most uplifting perspectives of the transmission process’ richness that’s so precious to us and that has the power to be so constructive from the point of view of self-development.

As I use to joke with those who come into contact with Ving Tsun through our method, I always suggest to the new practitioner, after being able to understand and translate into movements the nature of our exercises, that he denounces us for misleading propaganda. Unfortunately we do not have the ability to teach Kung Fu to anyone, but I can guarantee that if they stay with us, they will learn by themselves in a way that will be deeply felt in their own very soul.⁠⁠⁠⁠






sexta-feira, 24 de março de 2017

Por que o medo de altura se o perigo está no chão? Parte I (Why the fear of heights if the danger is on the ground? Part one. )

Treinando no Jong
Quem me conhece bem sabe que costumo fazer muitas referências às artes marciais no meu cotidiano: os anos de Ving Tsun Kung Fu como discípulo do mestre Julio Camacho me doutrinaram a raciocinar em uma busca constante de paralelos entre o dia a dia e o que desenvolvo em prática. Por isso mesmo, em algum momento há pouco mais de cinco anos, percebi em minha vivência um forte sentimento de incompletude como estudante marcial, logo descobrindo que sua causa estava na completa ausência de experiência em alguma luta agarrada.



Eu e minha filha Ana no tatame


Sem poder ignorar a incômoda sensação e após uma longa conversa com um amigo faixa preta de jiu jitsu, resolvi buscar onde pudesse aprender a arte por ele recomendada e logo encontrei a Gracie Humaitá, academia de renome por sua referência mundial como local de surgimento e fomentação do Brazilian Jiu Jitsu.

 Nem a idade vencia o Grande Mestre Hélio 
Justamente quando estava começando a me aprimorar como lutador em pé usando cada vez menos força no Kung Fu, me foi um enorme desafio iniciar uma atividade tão intensa, aos trinta e oito anos de idade, um pouco acima do peso e com todas as restrições de elasticidade num ambiente tão inóspito pra mim quanto o tatame. No solo, dentro de uma distância tão crítica e lidando com situações tão desconhecidas, por vezes me senti no fim de uma pista de vôo, pronto para decolar pela janela da academia nas incontáveis raspagens que levei, ou submergindo em oceano profundo quando o cérebro quase desligava nos precisos estrangulamentos. Isso sem falar na atenção constante que precisava para dar os três tapinhas antes que alguém levasse meu braço pra casa.


Através dos valorosos conhecimentos transmitidos pelo meu mestre na arte suave e hoje amigo, Rolker Gracie, venho ampliando minha autoconfiança dentro do disputado esporte, em níveis que jamais cogitei alcançar. Tento então traduzir esta confiança nas minhas tomadas de decisão no dia a dia. Por meio do contato tão enriquecedor que tenho com a lendária família Gracie, tão respeitada por manter vivo o legado do refino de Grande Mestre Hélio Gracie para técnicas marciais milenares, e graças a meus incansáveis colegas de treino em nossas saudáveis disputas (incluindo a fantástica experiência de compartilhar esse momentos tanto com meu filho Pedro Henrique e minha filha Ana Luísa), minha paixão pelo Brazilian Jiu Jitsu aumenta exponencialmente a cada rola na arte que ganhou meu coração e que pretendo jamais parar de estudar
e admirar.
Recebendo com muita honra minha faixa roxa do mestre e amigo Rolker Gracie.

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Me and my master Julio training

The ones that know me well are aware that I usually make lots of references to martial arts in my daily life. The years of Ving Tsun Kung Fu as disciple of the master Julio Camacho taught me to reason in a constant search for parallels between the day to day and what I develop in practice. That is why, at some point just over five years ago, I realized in my experience a strong sense of incompleteness as a martial student, soon discovering that its cause was inside the complete absence of experience in any grappling styl

Unable to ignore the uncomfortable sense and after a long conversation with a jiu jitsu black belted friend, I decided to search for a place where I could learn the art he recommended and I easily found Gracie Humaitá, a renowned gym for its world reference as a place of origin and promotion of Brazilian Jiu Jitsu.

Me and my daughter
Just as I was beginning to improve as a standing-up fighter by using less and less strength in Kung Fu, it was a huge challenge for me to start such an intense activity at 38 years old, a little overweight and with restrictions of elasticity in such an inhospitable environment as the mat. On the ground, within such a critical distance and dealing with such unfamiliar situations, for several times I felt at the end of a flight lane, ready to take off through the window of the gym during the countless sweeps I suffered, or submerge in deep ocean when the brain almost went off by the accurate chokes. Not to mention the constant attention I needed to pat three times before someone took my arm home.



Me and my son during training
Through the valuable knowledge transmitted by my master in the gentle art and nowadays friend, Rolker Gracie, I have been increasing my self-confidence within the disputed sport, at levels I have never thought to reach. I try to translate this confidence into my day-to-day decisions. Through the very enriching contact I have with the legendary Gracie family, so respected for keeping alive the legacy of Grand-Master Hélio Gracie's refining for millennial martial techniques, and thanks to my tireless training companions in our healthy disputes (including the fantastic experience to share those moments with both my son Pedro Henrique and my daughter Ana Luísa), my passion for Brazilian Jiu Jitsu increases exponentially by each combat in the art that won my heart and that I intend to never stop studying and admiring.



Reverencing Grandmaster Hélio Gracie after training




quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Café sem açúcar. (Sugarless coffee)

Guarda do lendário ancestral  IP Man
A vida é tão repleta de nuances que um olhar distraído nos faz desperdiçar as grandes lições subjacentes às pequenas circunstâncias. Atitude marcial requer um constante estado de guarda que vai muito além de uma postura física ligada a qualquer técnica de combate, e que nos proporciona um refinamento da percepção que permite contemplar as conexões daquilo que o universo nos devolve das nossas mais despretensiosas escolhas, sempre enriquecendo nossas escolhas.

Numa das incontáveis oportunidades de convívio com meu mestre de kung fu Júlio Camacho, após uma de nossas refeições sempre repletas de compartilhamento de conhecimentos, meu Si Fu, observando a forma como eu adoçava o café questionou-me o porquê eu colocava tanto açúcar na xícara antes de sequer experimentar o quão amargo estava. Seu questionamento me f
ez repensar minha maneira de apreciar a bebida, e fui aos poucos largando a velha mania de cafeinar o açúcar.

Eu, meu Mestre Julio Camacho, Mestre Nataniel Rosa, Grãos Mestres Leo Imamura, Miguel Hernandez e Pete Pajil.
Com tempo, comecei a perceber diferentes sabores da bebida, até que concluí que a melhor forma de se extrair um paladar mais acurado do café, principalmente no tocante acidez, seria abrir mão de adoçar; o que me levou buscar grãos mais requintados até chegar ao meu preferido, o Jacu Bird, uma cara especiaria com uma inusitada história por de pano de fundo. Jacu é um pássaro que se transformou numa praga que dizimava a cafeicultura da fazenda Camocim. Em algum momento, percebeu-se que a ave se alimentava das sementes no melhor ponto de maturação e, através de um processo quase que exclusivo, decidiram aproveitar dos grãos extraídos das fezes do animal. Dessa forma surgiu no Brasil a comercialização do segundo mais exótico produto do ramo no mundo.

Mestre Senior Julio Camacho em nossos tradicionais encontros matinais.
Em de 2015 fui convidado fazer parte da comitiva internacional do grande Clã Moy Yat Sang, em visita aos Estados Unidos e Canadá. Na ocasião, ficamos hospedados em solo Americano nas residências dos Grão-Mestres Miguel Hernandez em New York e Pete Pajil, na Philadelphia. Me foi incumbida pelo meu mest
re Júlio Camacho a missão de escolher presentes que representassem o espírito do kung fu da família Jo Lei Ou. Não pensei duas vezes em presentear nossos anfitriões com o café cuja história reflete a máxima que meu Si Fu repete a respeito do que o Kung Fu lhe representa: a habilidade de legitimamente retirar benefícios de qualquer circunstância. Tal oportunidade me proporcionou o momento ímpar de poder degustar meu café favorito desfrutando da companhia de verdadeiras lendas vivas da arte marcial mundial, numa viagem memorável que contribuiu significativamente na minha decisão de me entregar de corpo e alma à prática e transmissão do sistema de inteligência marcial, que de forma progressiva incorporo como ferramenta essencial na minha vida.

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Ip Man Jong Sao 
Sugarless coffee

Life is so full of nuances that a diverted look make us lose the great lessons underlying little situations. Marcial attitude requires a stable state of guard that goes far ahead of a physical posture associated to any combat technique, and that provides us a refinement of the perception which allows us to contemplate the connections thereof that universe retort from our most unpretentious choices, always enriching our choices.

In one of the countless opportunities of being around my kung fu master Júlio Camacho, after one of our meals that have always been so full of knowledge sharing, my Si Fu, watching the way I sweetened my coffee, asked me why I put so much sugar in the cup before even tasting how bitter it was. His questioning made me rethink my way of appreciating the drink and I started to slowly put aside my old habit of caffeinating the sugar.

With time, I started to cognize different savors of the drink, until I conclude that the best way to extract a more accurate gustation of the coffee, especially at the acidity matter, it was better to give up the sweeten; what leaded  me to search more exquisite beans up to get to my favorite one, the Jacu Bird, an expensive delicacy with an unusual background story. Jacu is a bird that turned into a pest that devoured the coffee cultivation of the fazenda Camocim. At some point, it was perceived that the bird feed from the beans which were at the best point of ripeness and by using an almost exclusive process, it was decided to appropriate the beans extracted from the feces of the animal. In this way arose in Brazil the commerce of the second most exotic product of world in the coffee business.
Sigung Leo Imamura in Canada.
Jacu Bird Coffe

In 2015, I was invited to take part at the international retinue of the great Clan Moy Yat Sang on a visit to the United States and Canada. At the occasion we were hosted in American land at the residences of the Great-Masters Miguel Hernandez in New York and Pete Pajil in Philadelphia. It was commissioned to me by my master Júlio Camacho the mission to choose gifts that portrayed the kung fu spirit of the Jo Lei Ou family. I did not think twice about presenting our hosts with the coffee whose story mirrors the adage that my Si Fu repeats about what Kung Fu represents to him: the ability to legitimately find benefits from whatever circumstances. Such opportunity provided a unique moment in which I could taste my favorite coffee in the company of true worldwide living legends of the martial arts, in a memorable trip that contributed greatly to my decision of giving my body and soul to the exercise and transmission of the system of martial intelligence, which I progressively incorporates as an essential implement to my life.⁠⁠⁠⁠

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O poder e o dever (The may and the must).

O poder e o dever.



Sejamos honestos, a grande maioria dos
praticantes de artes marciais chegam às suas respectivas práticas atrás de poder, pela razão que seja, medo, raiva, ressentimento de alguma experiência ruim do passado. Os filmes e lutas esportivas poluem o imaginário popular da expressão agressiva da prática marcial. Portanto, quando cheguei na Moy Yat Ving Tsun e conheci meu Si Fu, mestre Júlio Camacho, fiquei encantado com as raras demonstrações das suas impressionantes habilidades, indubitavelmente querendo aquilo pra mim. Minha viagem marcial começou quando comecei a descobrir justamente o porquê de serem tão raras tais exibições.
Mestre Senior Julio Camacho em raro momento de demonstração dos seus refinados conhecimentos marciais. 

Assim que iniciei a prática do kung fu, na mesma proporção que me surpreendia com as habilidades dos meus tutores, me frustrava com o inusitado método de transmissão que me era apresentado. Era incompreensível que toda aquela movimentação precisa e eficaz era fruto de um treinamento tão conceitual. As longas conversas sobre a estrutura de cada movimento, nas quais minhas respostas nunca eram diretamente respondidas, geravam um grande vazio na minha frente. Mal eu sabia o quanto cada passo na direção dele me fazia despencar numa outra dimensão do meu próprio eu: o caminho para a Vida Kung Fu.

Ao ser convidado para ingressar formalmente na família Jo Lei Ou, o estreitamento da minha relação com meu Si Fu, sem que eu percebesse no início, me proveu a ambiência adequada para que meu ímpeto parasse de me atrapalhar. Com o tempo, a minha confiança cega de que em algum momento me seriam confidenciados os segredos do Ving Tsun foi sendo substituída pela percepção que a construção do meu kung fu dependia diretamente da desconstrução das minhas ilusões a respeito da arte. Vocês já devem estar cansados de ler e ouvir o provérbio quase cliché sobre não se encher uma xícara de chá cheia, mas de fato é isso. 
Nessa ótica, adotei como um dos meus provérbios marciais familiares preferido o Kuen Kuit

應打則打
不應打不可打
毋強打
勿亂打

Tradução:

Se deve golpear, então golpeie;
Se não deve golpear, não golpeie.
Forçadamente, não golpeie.
Desordenadamente, não golpeie.







Hoje, entendo que tudo que aprendi na minha jornada kung fu traz consigo uma grande responsabilidade, e me sinto cada vez mais no dever de honrar esse legado que me chegou através dos meus antepassados que preservaram e transmitiram o Ving Tsun até o momento presente. Faço parte de algo muito além do meu antigo desejo de simplesmente ser bom em desferir golpes, e deixei muito lá atrás aquela vontade imatura e agressiva de ser à todo custo um bom lutador. Carrego comigo uma sabedoria que se incorporou ao meu jeito de ser, me ajudando a organizar minhas ações do cotidiano de forma a, acima de tudo, me alinhar com meus compromissos como ser humano. Paradoxalmente tudo isso tem me proporcionado um crescente desenvolvimento marcial, que provavelmente surpreende muitos que iniciam essa jornada kung fu na nossa família, não mais porque eu quero, mas por ser meu dever preservar e transmitir nossa arte.

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The may and the must


Let’s be honest, the great majority of martial artist get into their practices seeking for power for whatever reason, fear, anger, resentment of a bad past experience. The movies and sportive fights pollute the social imaginary with an aggressive expression of the martial practice. Therefore when I came to the Moy Yat Ving Tsun and I met my Si Fu, master Júlio Camacho, I was delighted by the rare demonstrations of his impressive abilities, undoubtedly wanting these for me. My martial journey started when I started to discover precisely why those exhibitions were so rare.

As soon as I started the kung fu practice, as much as I got surprised by the ability of my tutors I got frustrated with the unusual transmission method that was presented to me. For me it was incomprehensible that all those precise and efficient movimentation were the fruit of such a conceptual training. The long talks about the structure of each move, in which my questions were never directly answered, created a great void in front of me. I barely knew that each step towards it made me fall into another dimension of my own self: the way to the Kung Fu life.

When I was invited to formally join the Jo Lei Ou family, without noticing at first the approximation of my relation with my Si Fu provided me the proper environment for my impetus to stop puzzling me. With time, my blind trust that the secrets of the Ving Tsun would be given to me at some point was replaced by the realization that the construction of my kung fu depended directly on the deconstruction of my illusions about this art. You probably are tired of reading and hearing the almost cliché saying about not fully filling a teacup, but in fact that’s about it.

In this perspective, I adopted as one of my favorite martial proverbs the Kuen Kuit:

應打則打
不應打不可打
毋強打
勿亂打

Tranlastion: 

Do hit, if you should hit;
Do not hit, if you should not hit.
Do not hit forcefully.
Do not hit randomly.


Today I understand that everything I learned on my kung fu journey comes with a great responsibility, and I feel the growing duty to honor this legacy that came to me through my ancestors who preserved and transmitted the Ving Tsun until the present moment. I am part of something far beyond my old desire to simply be good at throwing punches, and I left behind that immature and aggressive desire to be a good fighter at all costs. I carry with me a wisdom that has been

incorporated into my being, helping me to organize my everyday actions and above all to align myself with my commitments as a human being. Paradoxically all this has given me a growing martial development, which probably surprises many of those who start this kung fu journey in our family, no longer because I want to, but because it is my duty to preserve and transmit our art.⁠⁠⁠⁠